Aqui & Agora
1) Definição de nós mesmos
É o que a estrutura mental cria todos os dias a partir da nossa educação.
Eu sou pequena, grande, grande e gordo, etc .. => Eu crio uma forma
Eu sou um informático, cozinheiro, comerciante, etc .. => Eu me defino na sociedade
Estou atrasado, apressado, ausente etc .. => Eu me defino no tempo
Eu estou feliz, triste, contente, etc .. => Eu defino uma emoção
Este é um processo de criação constante.
Nós nos definimos a nós mesmos e com isso nós nos criamos.
Nós nos trancamos numa forma e numa definição de nós mesmos: é um círculo vicioso, e assim nós limitamos nossas possibilidades e o nosso poder.
"EU SOU" é a declaração da acção de existir no mundo real.
Nenhum pensamento, nenhuma sentença deve ser superior a essas duas palavras, quando nós nos definimos.
Tudo que vem depois é uma ilusão da mente: é a construção da nossa forma "ilusória", que limita o nosso poder e nos bloqueia numa forma de impotência.
Podemos nos definir como o maior dos gigantes, mas o que é isso comparado com a nossa natureza de universo infinito e todo poderoso ?
Independentemente da forma que criarmos será sempre inferior ao que realmente somos, de outra forma não poderíamos cria-la!
"Não é o corpo que contém a alma, mas a alma que contém o corpo!"
A voz do magico Deepak Chopra.
2) A presença aqui e agora: "tempo".
Ou estamos em extrapolação: este fim de semana eu vou fazer isso, hoje eu vou assistir TV, às 13h30 tenho de estar em tal lado, etc ..
Ou em arrependimento: foi bom na semana passada, foram boas as minhas últimas férias, porque não fiz isto ou aquilo, etc ..
Graças a isso o ego expulsa o nosso poder.
No mundo real só existe um eterno momento presente. É a mente que inventa um passado e um futuro: essas coisas não existem.
Se não estivermos "aqui e agora", não criamos a nossa realidade de maneira consciente: dispersarmos a nossa energia para nada, já que evitamos a realidade em vez de estar no momento presente.
"Nós não precisamos de esforço para ser, porque a aceitação é a espontaneidade em si.
Não há necessidade de tempo para estar aqui e agora, no entanto, é preciso necessariamente tempo para recusar estar aqui e agora."
Além disso, a resposta do ego de uma dada experiência sempre será compensada com um velho esquema memorizado em vez deixar fluir a "acção correta" da intuição.
"Quanto mais diferimos a resposta à situação de experiência presente, menos a resposta será justa, pois a mente que entra em cena irá complicar as coisas.
Por outro lado, se estivermos intensamente presentes, já não será a intelectualidade emocional da mente que irá falar.
A resposta ao que é, será proveniente de uma fonte muito mais profunda e será muito mais inspirada "
(Citações de um curso de filosofia online assunto extremamente interessante, embora que um pouco complicado:
http://sergecar.club.fr/cours/corps_emotionnel.htm)
3) Identificar os pensamentos e o corpo
O monólogo é uma constante na nossa cabeça: a voz tenta sempre nos pôr a fugir do presente e a julgar alguma coisa. Estes pensamentos são externos a nós. Quando compreendemos isso podemos "deixar passar os pensamentos".
Em vez de sentir nossos corpos, nós projectamos uma forma.
Quando entendemos que o corpo é em si um pensamento projectado em nós mesmos (isto é, sem forma), podemos "deixa-lo passar" como um pensamento.
Resta apenas a ausência de forma que se percebe como energia em que o limite é indefinido: uma onda de consciência num oceano invisível. (Nós experimentamos isso facilmente após uma hora de meditação, mas é mais difícil experimenta-lo numa acção: é um estado que vai e vem.)
Quando o exercício de percepção sem projecção é integrado só vemos energia, e não a mão ou a extremidade durante a "presença".
Enquanto praticava na rua percebi de repente o seguinte:
Se eu projecto a minha forma, eu projecto também a dos outros, porque eu sou uma onda de um oceano que cruza outras ondas do mesmo oceano.
É a minha mente que lhes dá forma, e que, ironicamente, "julga" essas formas com pensamentos: olha que feia, que gordo, que mau.
Mas é o meu ego que lhes dá essa aparência ! Não é o que os outros são realmente, é o que eu projecto sobre eles !
Não serve de nada "julgar" uma aparência que é apenas uma invenção da minha imaginação: basta deixar fluir a acção justa no "aqui e agora".
Por exemplo:
Normalmente, se eu vejo alguém que parece agressivo, eu me preparo para enfrenta-lo na passagem ou faço um desvio para evitá-lo.
Mas é minha mente que diz que ele parece agressivo. Não é necessariamente a realidade. O juízo e a acção que eu fiz são portanto uma ilusão.
Ao invés disso, baste passar sem julgar e estando presente. Se estivermos presente e a pessoa nos atacar, em seguida, a resposta à agressão será a resposta correta, e se, como é provável, não houver nada a temer tudo se passará bem, é o segredo das artes marciais e a voz do Samurai.
A resposta vem "das profundezas do ser": a acção correta é um golpe mortal colocado sem pensar* ou uma passagem sem fazer nada, tudo isso completamente relaxado; intuição se transforma em acção.
* Ou uma evasão e fuga, se não formos um grande samurai :)
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Os canais de busca directa de iluminação que eu conheço são:
- Zazen (meditação) => deixamos passar os pensamento e o corpo dando atenção para o corpo energético sem o julgar.
- "Presença", que é a mesma coisa, mas em movimento e acção, o melhor exemplo disto é o caminho do samurai que, considerando-se como morto no quotidiano é "sem forma" e "sem objectivo": ele é apenas a "acção justa" no eterno momento presente.
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O momento actual
Certa vez perguntei a um professor que sabia como meditar,
como ele conseguia ser tão recolhido, apesar de todas as suas ocupações.
Ele respondeu:
Quando me levanto, eu me levanto.
Quando eu ando, eu ando.
Quando eu estou sentado, eu estou sentado.
Quando como, eu como.
Quando eu falo, eu falo.
O povo o interrompeu, dizendo:
"Nós fazemos o mesmo, mas o que faz a mais ?"
Quando me levanto, eu me levanto.
Quando eu ando, eu ando.
Quando eu estou sentado, eu estou sentado.
Quando como, eu como.
Quando eu falo, eu falo.
As pessoas disseram-lhe:
"Mas isso é o que nós fazemos"
Não, respondeu ele.
Quando você se senta, você logo se levanta.
Quando você se levanta, você logo corre.
Quando você corre, você já está na meta ...
Presente !
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A presença traz a alegria do momento presente: aproveitar a vida em si e a acção de existir "EU SOU" é a maior felicidade de todas!
Nenhuma acção do mundo ilusório traz mais prazer, é essa a grande mentira do ego!
Mas estamos tão enredados no drama e nas mentiras da mente que nos privamos desse gozo: praticamente não experimentamos isso em nossas vidas, excepto por alguns minutos de "graça" que costumamos lembrar com emoção: o "momento perfeito".
Mas nós não entendemos que a única coisa que fez este momento perfeito foi a nossa presença na nossa "verdadeira natureza" aqui e agora e fora do ego e da natureza da acção ilusória !
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Voltar ao momento presente e nunca mais sair, esconde, a meu ver, muitos mais segredos, apesar da extrema dificuldade do exercício.
Continue a experimentar ...
Christophe Allain
Tradução ProvaFinal2012