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Eduardo

A beleza que o perscrutar dos céus proporciona para os que têm olhos de ver e sensibilidade para captar a grandiosidade do Universo, é indescritível.(Galáxia M82) - Foto: internet.

Kenneth Rogoff é co-autor de vários estudos sobre dívida soberana.



Já se sabia – através de um relatório da associação ambiental estado-unidense Natural Resources Defense Council [1] – que os Estados Unidos mantêm 90 bombas nucleares na Itália: 50 em Aviano (Pordenone) e 40 em Ghedi Torre (Brescia). Cerca de 400 outras estão instaladas na Alemanha, Grã-Bretanha, Turquia, Bélgica e Holanda. Estas são bombas tácticas B-61 em três versões, cuja potência vai de 45 a 170 quilotoneladas (13 vezes a da bomba de Hiroshima).
As bombas são guardadas em hangares especiais com aviões caça prontos para o ataque nuclear: dentre eles, os Tornado italianos que estão armados com 40 bombas nucleares (as que estão em Ghedi Torre). Para isto, revela o relatório, pilotos italianos são treinados na utilização de bombas nucleares nos polígonos de Capo Frasca (Oristano) e Maniago II (Pordenone).
Este é agora confirmado oficialmente, pela primeira vez, na Nuclear Posture Review 2010 [2] , onde se afirma que "os membros não nucleares da NATO possuem aviões especialmente configurados, capazes de transportar armas nucleares". O governo italiano também confirma, admitindo portanto que viola o Tratado de Não Proliferação? Ou ao contrário declara que o Pentágono mente?
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[1] U.S. Nuclear Weapons in Europe. A review of post-Cold War policy, force levels, and war planning, NRDC, 2005.
[2] Nuclear Posture Review 2010, US Department of Defense, Avril 2010.
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"Os políticos portugueses nada podem fazer senão esperar que a situação vá piorando", escreve Simon Johnson.
Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, considera que Portugal, tal como a Grécia, "corre risco de falência económica" e é hoje um país mais arriscado que a Argentina falida de 2001. Para estes dois especialistas "nem os líderes da Grécia nem os de Portugal estão preparados para impor as políticas necessárias" e, no caso português, "não se está sequer a discutir cortes sérios". Certos de que as políticas projectadas são insuficientes, Simon Johnson e Peter Boone antecipam que "Portugal e Grécia vão ter níveis de desemprego elevadíssimos nos próximos anos" e afirmam que "Portugal está esperançado que poderá sair desta situação pelo crescimento, mas isso só poderia acontecer com um extraordinário boom económico". "Tenhamos dó dos políticos portugueses mais ponderados quando dizem que a probidade orçamental exige apertar o cinto mais cedo (...) Os políticos portugueses nada podem fazer senão esperar que a situação vá piorando para depois pedirem ajuda externa", declaram. Porque falhou Portugal Tal como a Grécia, Portugal entrou numa espiral de dívida insustentável, defendem os autores. "Portugal gastou demasiado durante os últimos anos, com a dívida pública a atingir os 78% do PIB em 2009 (comparando com 114% na Grécia e os 62% da Argentina, quando entrou em incumprimento). Esta dívida tem sido financiada sobretudo por investimento estrangeiro e, tal como a Grécia, em vez de pagar os juros desses títulos, Portugal optou por, ano após ano, refinanciar a sua dívida", sustentam. "Em 2012, o rácio dívida pública/PIB português deverá atingir 108% se o país atingir as suas metas de corte do défice. Chegar-se-á no entanto a um ponto em que os mercados financeiros vão simplesmente recusar-se a financiar este esquema Ponzi", concluem. Depois de descreverem a situação portuguesa, Johnson e Boone acusam as agências de ‘rating' de terem medo de "tocar em Portugal". "Hoje, e apesar dos perigos evidentes e dos elevados níveis de dívida, as três grandes agências de ‘rating' estão certamente assustadas em dar o passo de declarar a dívida grega como ‘junk'. Têm também um receio parecido em tocar em Portugal", lê-se no texto. Fonte: Económico
"O próximo no radar é Portugal. Este país só não está no centro das atenções porque a Grécia caiu numa espiral descendente. Mas estão ambos perto de falência económica e parecem hoje bem mais arriscados do que a Argentina quando entrou em incumprimento, em 2001", lê-se num artigo assinado em conjunto por Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, e Peter Boone, do ‘Center for Economic Performance' do London School of Economics.
O relatório de desemprego dos EUA apresentado na última sexta-feira, que mostrava um ganho líquido de 162 mil postos de trabalho em março, foi apropriado pela administração Obama e por grande parte da mídia como uma confirmação das afirmações oficiais de que a recessão acabou e que a recuperação do mercado de trabalho começou.
Chamando o relatório do Departamento do Trabalho de "a melhor notícia no front dos empregos em mais de dois anos", o presidente Obama disse: "estamos começando a dobrar a esquina". O New York Times começou seu relato sobre os dados do mercado de trabalho com as seguintes palavras: "as nuvens foram embora".
Se olharmos mais de perto para as estatísticas, porém, as conclusões são bem menos otimistas. O ganho líquido de postos de trabalho não-agrícolas foi muito menor do que os 200-300 mil antecipados pela maioria dos economistas. Além do mais, 88 mil das novas contratações eram temporárias - incluindo 48 mil realizadas para executar a pesquisa de censo dos EUA.
A assim chamada taxa de subemprego, que inclui aqueles que, contra a própria vontade, trabalham meio período e os que desistiram de procurar emprego, subiu para 16,9%, o terceiro aumento mensal consecutivo. As fileiras de trabalhadores buscando empregos de tempo integral e forçados a trabalhar no regime de meio período aumentaram para um nível assustador de 9,1 milhões de pessoas.
Talvez mais ameaçador, o número de desempregados de longo prazo - os demitidos há pelo menos 27 semanas - aumentou em 414 mil alcançando a marca de 6,5 milhões de pessoas. Esta classificação abarca mais de 40% dos trabalhadores desempregados, uma porcentagem bem mais alta do que a da profunda recessão de 1981-82. A taxa média de duração do desemprego aumentou para 31 semanas em março, o patamar mais elevado já registrado em mais de seis décadas.
O salário médio por hora continua em declínio acentuado.
No vigésimo sétimo mês de uma recessão que eliminou mais de 8 milhões de empregos, a economia dos EUA produziu menos empregos em período integral do que o necessário para acompanhar o crescimento mensal normal da disponibilidade de força de trabalho. Apesar de uma ligeira elevação nos setores de manufatura e construção - após meses de contração - o relatório mostra uma economia afundada na lama e sem qualquer perspectiva de redução do desemprego aos níveis pré-crise.
Na medida em que um pequeno aumento na produção ocorreu na economia real, ele esteve sempre ligado a um ataque massivo contra os empregos, salários, benefícios e padrões de vida da classe trabalhadora. A classe dominante, com a liderança da administração Obama, está usando a crise econômica para implementar uma redução permanente das condições de vida dos trabalhadores.
Parâmetros novos e mais rebaixados estão sendo estabelecidos para salários e condições de trabalho e vêm para ficar. Não são temporários. Sobre tal base, os lucros corporativos foram às alturas, apesar do desemprego de quase dois dígitos e da redução do consumo.
A deterioração da posição social da classe trabalhadora é evidenciada principalmente pelas estatísticas de produtividade. No quarto trimestre de 2009, quando o produto interno bruto dos EUA cresceu 5,6%, a produtividade - quantidade de produção espremida de cada trabalhador - subiu a uma taxa anual de 6,9%. Os custos da força de trabalho tiveram uma queda acentuada de 5,9%. O salário por hora ajustado de acordo com a inflação mostrou queda de 2,8% em relação ao trimestre anterior.
Os números documentam uma subida brusca na intensidade da exploração da força de trabalho.
Outra indicação do caráter de classe da assim chamada recuperação é a divergência entre o PIB e a medida da renda nacional - conhecida como renda interna bruta. No terceiro trimestre de 2009, a renda interna bruta ainda estava em contração, mesmo enquanto o PIB aumentava em 2,2%. O atual rombo entre o PIB e a renda interna bruta é o maior já registrado.
Essa divergência estatística aponta que a atual recuperação é fundamentalmente arraigada nos lucros corporativos e na riqueza da classe dominante, enquanto os padrões de vida da vasta maioria dos americanos continuam a cair. É uma recuperação na qual divisões de classe e desigualdade social estão se ampliando.
Isso também é sugerido pela lista dos 30 presidentes corporativos mais bem pagos publicada no domingo pelo New York Times. Dez deles presidem empresas que registraram declínios de rendimento e renda líquida em 2009, mas ainda assim obtiveram ganhos de "retorno total" - uma medida ligada às variações dos preços das ações de uma companhia. Quase todos os presidentes tiveram um aumento de seus pagamentos com relação a 2008.
O "sucesso" dessas corporações, e de seus chefes executivos, deu-se principalmente com base em medidas de corte de custos que, mesmo em face da redução dos ganhos e renda, impulsionaram os preços das ações das firmas. Isso fornece uma imagem do grau em que a "recuperação" se baseou em enxugamentos implacáveis, cortes salariais e aumento da intensidade do trabalho.
Alguns exemplos:
* O terceiro presidente corporativo mais bem pago, Ray R. Irani da Occidental Petroleum, recebeu $31,4 milhões, um aumento de 39%. Sua firma sofreu uma queda de 37% no rendimento, um declínio de 57% na renda líquida, mas um aumento de 38% no retorno total.
* Susan M. Ivey, número 27 da lista, conseguiu um aumento de 84% em seu pagamento, que atingiu $16,2 milhões. Sua empresa, Reynolds American, registrou declínios de rendimento e renda líquida de 5% e 28%, respectivamente, enquanto o retorno total da companhia subiu 40%.
* Andrew N. Liveris da Dow Chemical, número 28 da lista, recebeu $15,7 milhões, um aumento de 23%. A renda de sua companhia caiu 22%, e a renda líquida caiu 61%, mas o retorno total deu um salto de 87%.
Ao lado dos cortes nos custos e aumento da exploração da força de trabalho, a recuperação foi sustentada por resgates governamentais aos bancos e um suprimento virtualmente ilimitado de crédito barato pelos bancos centrais dos EUA e do resto do mundo. Isso elevou os preços das ações de maneira desconectada com relação ao estado da economia real e catalisou excessos especulativos ainda maiores que os que precipitaram o crash financeiro de 2008. Nas semanas recentes, por exemplo, vimos um crescimento explosivo do mercado de títulos de alto risco.
Longe de resolver as contradições subjacentes do capitalismo mundial, essa pilhagem dos recursos públicos intensificou-as. Desequilíbrios massivos e estruturais no cenário da economia global - particularmente entre países deficitários, liderados pelos EUA, e países exportadores, superavitários, liderados pela China e Alemanha - foram ampliados e intensificados.
Enfrentando níveis recordes de endividamento público e déficits orçamentários, os EUA procuram elevar suas exportações à custa de seus rivais. Mas todos os outros grandes países deficitários fazem o mesmo, enquanto nações superavitárias como China e Alemanha defendem com unhas e dentes seus mercados de exportação. Simultaneamente, a pilhagem dos recursos estatais em prol do resgate à elite financeira aumentou a pressão por medidas de austeridade draconianas que reduzam os gastos governamentais. Isso, por sua vez, pode apenas aprofundar a queda no consumo, tornando a competição entre países por mercados de exportação cada vez mais feroz e aumentando a probabilidade de guerras comerciais e monetárias abertas.
A administração Obama, que jurou dobrar as exportações dos EUA em 5 anos, parece basear sua estratégia econômica em puxar para baixo os custos da força de trabalho, de modo que a manufatura dos EUA possa ser ao menos parcialmente revivida enquanto um centro de mão-de-obra barata para produtos de exportação.
Sob condições de desemprego em massa de longo prazo, salários em queda, miséria crescente, número recorde de falências individuais e escalada na execução de hipotecas, toda a economia cada vez mais lembra um castelo de cartas. O ressuscitar do mercado imobiliário, que é chave para qualquer recuperação verdadeira, parece altamente problemático com a expectativa de que as execuções de hipotecas aumentem de 1,7 milhões em 2009 para 2,2 milhões neste ano.
Para a classe trabalhadora, não existe qualquer possibilidade de recuperação real dentro dos quadros do sistema capitalista. Para reverter as condições sociais cada vez mais brutais de exploração e pobreza, ela precisa organizar sua resistência sobre a base de uma perspectiva socialista, revolucionária e internacionalista.
(traduzido por movimentonn.org)
Fonte: wsws.org
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